Koe no Katachi: Comentários dos capítulos 61 e 62 – Graduação e Voz Silenciosa (Final) e Anúncio de Anime

Fala galera, venho aqui trazer o último post de comentários de Koe no Katachi (o quinquagésimo do blog, aêêê). Irei comentar os capítulos finais do mangá e irei falar sobre o anúncio do anime de Koe no Katachi e sobre como uma expectativa imensa em relação ao “romance” dos dois protagonistas fez um final mediano parecer péssimo.

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Vou começar o post para divulgar a notícia que Koe no Katachi receberá uma adaptação para anime. Ainda não se sabe qual vai ser o diretor do anime e nem o estúdio que irá adaptar a obra (espero que seja a A-1 Pictures, Production I. G. ou a Madhouse com Koujina Hiroshi), o anúncio foi feito na primeira página do último capítulo e foi noticiado no Anime News Network. Espero que o anime saia com uma animação ótima (para compensar a arte mediana do mangá) e conserte algumas coisas no mangá que não gostei muito, como o final que iremos comentar abaixo. Desde o início da publicação do mangá eu já imaginava que a história poderia render um anime pelo seu enredo e por ser publicado pela Shounen Magazine, aonde o mangá conseguiu boas vendas e ganhou popularidade. Eu não quero me decepcionar de maneira nenhuma com esse anime, por isso torço para que venha um estúdio competente com um diretor de renome. Pode ser que comente o anime no Selected Animes quando for lançado, eu irei me ater aos aspectos técnicos da adaptação pois já comentei todos os capítulos aqui no Selected Mangás e assim vocês já sabem qual é a minha opinião a respeito de todos os pontos da trama de Koe no Katachi, qualquer coisa é só acessar a aba dos comentários semanais do blog ou procurar o comentário do capítulo referido na barra de busca no final da página. Agora vamos arregaçar as mangás para falar as coisas boas e ruins desse final de mangá.

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Começando pela parte boa, venho falar que o penúltimo capítulo foi a única coisa relativamente boa do mangá. A autora aproveitou uma personagem que amávamos odiar, a Ueno e deu um desfecho apropriado para ela. Vemos uma conversa até boa entre o Shouya e a Ueno sobre várias coisas, como o fato da Shouko pretender ser cabeleireira e não estilista. Ela revela também que o Shimada e o Hirose salvaram a vida dele naquele fatídico dia que ele caiu do prédio para salvar a Shouko, eles pediram para que a Ueno não falasse nada pois queriam ter o mínimo de contato com o Shouya por ele representar um passado que eles não querem mais se lembrar. Esse capítulo mostrou a Ueno de uma forma tsundere, ela foi sincera consigo mesmo e com o Shouya ao admitir as coisas ruins que fizera até aqui (como pichar a cadeira dele naquela época e maltratar a Shouko), foi bem mais satisfatório que a Kawai. Ficou claro também que o motivo dela desgostar da Shouko mesmo se sentindo mal por tudo que fez foi ciúme do Shouya e no final ela nem chegou a falar que gostava dele, embora ela tenha deixado implícito (o Shouya é uma anta, ele não percebe nada). Até aqui o Shouya deixou a impressão que tinha amadurecido também, ao admitir que não conhecia 100% o Shimada e o Hirose mesmo eles tendo se considerado amigos um dia e que agora resolverá suas pendências e encararia estes com a cabeça erguida. Pena que no último capítulo não é bem isso que vemos.

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O primeiro erro que a autora cometeu ao fazer esse final no último capítulo foi o mau uso do time skip. Para quem tem uma boa bagagem de leitura e acompanhamento de obras, é sabido por todos que o time skip é um recurso de enredo perigoso de se usar, o uso errado dele pode levar a obra para a m*rda (exemplo: a segunda parte de Tengen Toppa Gurren Lagann) pois o time skip nos afasta dos personagens, pois não sabemos o que aconteceu neste período. No caso de Koe no Katachi, este recurso é mal usado, pois o time skip no caso desse mangá deveria ser gradual e deveria ser usado para mostrar o que aconteceria com o relacionamento entre o Shouya e a Shouko. O uso de um narrador poderia ter sido uma opção, pois assim seria mostrado de forma dinâmica o destino de cada um dos personagens da mesma forma que é feito em alguns filmes de superação. Aqui em Koe no Katachi, após o time skip quando eles estão na festa de comemoração da maioridade, vemos que alguns personagens estão da mesma forma do que antes no final do mangá e outros personagens tomaram um rumo incompreensível, não fazia sentido a situação deles terem sido apresentada para a gente daquele jeito. O romance entre o Shouya e a Shouko infelizmente não foi desenvolvido, mesmo o romance não sendo o principal tema do mangá, a autora deu todos os indícios que o romance se desenvolveria e não fez.

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As reclamações que faço a respeito dos personagens começa com o Shouya e o Mashiba conversando, o Shouya está para fazer uma prova final do curso e se graduar e o Mashiba não decidiu ainda o que fazer da vida. Passaram-se dois anos e ambos já são adultos, não vejo problemas no fato deles estarem nesta situação, o problema é quando vejo o Hirose e sua mulher levando o seu filho pequeno para a mesma escola que todos eles estudaram no primário, com o Shouya vendo tudo. Eu pensei: no lugar do Hirose e sua família a autora poderia ter apresentado aquele garoto e garota que zoavam o Mashiba na sua infância levando o filho deles para estudar lá, assim o Mashiba poderia ver essa cena e tomar a sua decisão em relação ao seu futuro se ele vai ou não ser professor. Eu tive a impressão que a autora montou as cenas finais com as pessoas erradas, a motivação do Mashiba de se tornar professor do primário para educar as crianças corretamente e influenciá-las para não cometer bullying foi jogada completamente no lixo. A Kawai fica como figurante e o Shouya nem sequer fala com os o Shimada e o Hirose, o primeiro nem aparece no último capítulo. A Shouko nem sequer menciona que gosta do Shouya e vice-versa, a coisa mais próxima de casal que vemos eles fazerem é darem as mãos na última página do último capítulo. Algumas semanas atrás eu estava com medo deste mangá receber um final apressado e infelizmente esse medo se confirmou, o final teve um final apressado e não fechou as pontas soltas de uma forma satisfatória.

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Capítulo 23: Shouko se declarando.

Comentando da falha do romance, vejo que a maior falha que a autora cometeu neste ponto foi que ela ficou em cima do muro entre desenvolver ou não desenvolver o romance. Se ela quisesse que a obra não tivesse romance, ela não deveria ter feito o capítulo 23 – Lua, aonde a Shouko se DECLARA para o Shouya e não deveria ter feito também todas aquelas brincadeirinhas que a Yuzuru fez ao longo do mangá sobre eles serem namorados. A autora poderia se inspirar no anime Isshuukan Friends, aonde uma amizade entre os dois protagonistas do sexo oposto é desenvolvida de forma satisfatória sem apelar para romance. Se ela optasse pelo romance na obra, ela tinha que fazer mais dois capítulos com a Shouko se declarando mais uma vez para o Shouya e ele entendendo o que ela fala e correspondendo os seus sentimentos. Assim os ruídos de comunicação entre eles seriam removidos e não teriam mais entraves para eles seguirem juntos. A autora poderia ter optado por essas duas opções e assim a obra teria um final bom, só que ela acabou ficando em cima do muro e não fez uma coisa nem outra. Ela não é obrigada a colocar romance na obra, ela poderia até representar a Shouko tendo sentimentos passageiros típicos da sua idade pelo Shouya e ficar por isso mesmo, mas a partir do momento que ela se declara para ele e ele não entende o que ela quis falar, somando as insinuações da Yuzuru e dos demais personagens em relação a um possível namoro deles (a Ueno fez um escarcéu danado na obra inteira só por causa disso, alias tudo que ela fez na obra foi prejudicado com esse final), penso que a partir desse momento a autora tem a obrigação de desenvolver o romance e dar um desfecho apropriado para este, pois se não isso se configura como uma falha do mangá e da autora em começar um elemento no mangá e não terminar.

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Eu queria ter visto mais da família do Shouya e da Shouko, o mangá terminou sem revelar qual era o nome das mães Ishida e Nishimiya, não mostra a cara da irmã do Shouya (poderia ser mostrado para demonstrar que o Shouya é adulto e pode falar com todos de igual para igual). Eu gostei do cara brasileiro ter voltado. Os diálogos finais do Shouya do mangá não me incomodaram, mas mesmo contando essas coisas como positivas, foram uma gota no balde em um deserto. Vejo que o pseudo-romance entre o Shouya e a Shouko foi o calcanhar-de-Aquiles da obra, muita gente começou a ler o mangá devido a expectativa do romance entre os dois (página de fãs do mangá no Facebook estão recheadas de fanarts shippando os dois, assim como em outros lugares da internet mantidos por fãs da obra), imagino o banho de balde de água fria que eles terão com esse final. No MyAnimeList existe um rage devido aos usuários do fórum decepcionados com o desfecho que os dois protagonistas na obra e lamentaram o fato de eles não terem dado sequer um beijo. Eu torcia um tempo atrás nos primeiros capítulos do mangá para o mangá não se tornar um romance clichezão de shoujo, mas ao chegar no último capítulo eu pensei que seria melhor a autora ter enfocado o romance bem antes, com certeza o final seria mais satisfatório que este. Fazendo um comentário bem curto sobre a arte do mangá, nesses últimos capítulos a arte ficou mais porca com quadros brancos como na penúltima página dupla do último capítulo.

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Capítulo 49: Planos do Mashiba.

Lendo esses comentários pode parecer que não recomendo mais Koe no Katachi, mas no geral foi uma série que gostei sim, embora esse final tenha feito eu baixar um ponto da obra (eu já tinha baixado um ponto um tempo atrás, quando achava que o final poderia ser prejudicado). O mangá fez bem em mostrar o bullying e as suas consequências em um caso específico, mostrou até mesmo a evolução do Shouya em relação a um amadurecimento e redenção do personagem, com a superação dos maus efeitos que suas atitudes no primário geraram e o perdão de sua própria consciência pelo que fez. Mas eu acho que o mangá falhou em explorar a temática do bullying e de outras coisas relacionadas de uma forma global, vimos até as intenções do Mashiba em se tornar professor para educar corretamente as crianças e convencê-las a evitarem isso, mas a obra jogou esse desenvolvimento no lixo em seu final. Eu não estava esperando um final absurdo para obra, poderia ser até um final simples, mas que fechasse de forma apropriada tudo que o mangá começou. Eu posso até entender a parcela de leitores que falam que o principal da obra era a busca da redenção do Shouya e o romance foi apenas um bônus, mas uma coisa é você deixar um sub-plot como bônus e outra coisa é você simplesmente não terminá-lo e por eu ter visto obras parecidas com Koe no Katachi manterem o romance como bônus (ou como algo não tão importante para o tema da obra) e fazer um bom uso dele no seu final é que eu não perdoo o que a autora fez com o romance aqui. Para quem quer saber que mangá é esse, me refiro a Holyland, que é um mangá de artes marciais mas tem também o bullying como tema principal, o autor dessa obra não se esquece do bullying mesmo tirando o foco dele por vários volumes e desenvolve o tema de uma forma global principalmente em seus volumes finais. A obra também tem romance e mesmo sendo um sub-plot bem secundário funciona de uma forma perfeita no mangá. Além de desenvolver todos os personagens inclusive os terciários. O mangá shoujo Vitamin também é outra obra que consegue trabalhar bem a temática do bullying.

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Assim, as mensagens finais do mangá foram entregues não da forma que nós esperávamos e o hype de muita gente foi por água abaixo. Mesmo tendo um final fraco, Koe no Katachi me rendeu vários momentos bons no seu decorrer e esses momentos moldaram a experiência que tenho hoje ao ver animes e mangás, hoje eu sou bem mais exigente e prefiro obras que me passem informações novas e mensagens bonitas ou relevantes. O elemento psicológico da obra foi bom, deu um senso de profundidade nos personagens no decorrer da obra e não teve culpa na decaída da obra em seus capítulos finais. Mesmo com os problemas citados anteriormente, ainda sou grato por esse mangá por ter sido o “ganha-pão” deste modesto blog de mangás com os comentários semanais e as visualizações vindas destes. A partir de agora eu irei mudar o padrão de posts deste blog e não farei mais comentários semanais, eu irei voltar a minha atenção para reviews de mangás e one-shots, então a minha frequência de posts aqui diminuirá, mas em contrapartida eu irei investir mais no conteúdo do Selected Animes, assim vocês terão mais conteúdo publicado sobre animes daqui para frente. Concluindo, a minha nota para esse mangá é oito, pode parecer que é algo bom mas esse mangá chegou a receber um dez por mim nos seus melhores momentos, a baixa da nota foi devido ao meu desapontamento com o final e certos fatores do mangá. Assim, eu recomendo o mangá com ressalvas, o mangá tem falhas e é ideal que o leitor não tenha nenhuma expectativa em relação ao romance que não tem. Ainda será traduzido e postado na internet a entrevista com a autora que veio junto com o último capítulo, eu ainda irei fazer um post comentando sobre essa entrevista.

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Irei terminar o post agradecendo o Abnormal Scanlator por ter traduzido esse mangá em português desde o one-shot, o scanlator peruano Café com Lenin por ter traduzido todos os capítulos em espanhol postados no Batoto depois do Futari wa Pretty Anon ter dropado o projeto e obviamente ao Crunchyroll, que popularizou a obra.

Classificação do capítulo 61: 2.5/5

Classificação do capítulo 62: 1/5

Classificação final do mangá: 4/5 ou 8/10

Fontes das imagens e links para visualizar/baixar o mangá:

Notícia do anúncio do anime no ANN.

Comentários semanais anteriores.

Capítulos em inglês no Crunchyroll.

Em português: Abnormal Scanlator e Kyodai Scans.

Em espanhol: Café com Lenin.

Batoto (Os últimos capítulos online em espanhol você poderá acompanhar aqui).

Em inglês: Norway Scan (capítulos 1 a 5).

Futari wa Pretty Anon (a partir do capítulo 6 até o 29).

Comentários do mangá no MyAnimeList.

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8 opiniões sobre “Koe no Katachi: Comentários dos capítulos 61 e 62 – Graduação e Voz Silenciosa (Final) e Anúncio de Anime

  1. Não achei o capítulo final de Koe no Katachi algo maravilhoso, bem longe disso, na real, só achei “ok” porque, parando pra pensar, eu meio que sinto que o maior ponto alto do fim da história foi este http://mangafox.me/manga/koe_no_katachi/v07/c057/10.html

    Koe no Katachi me soou como a história sobre a redenção do Shouya, como você mesmo disse no texto, e como a “voz” de uma menina surda-muda chegou até ele e o fez parar pra repensar seus atos (caralho, acho que eu viajei aqui, mas cheguei a essa conclusão faz poucas horas). Acho que coisas como mostrar o rosto da irmã dele, ou falar os nomes das mães do Shouya e da Ishida não eram coisas lá tão necessárias e a história não iria ter alguma diferença com isso. A autora simplesmente nos deu as informações necessárias para contar a sua história, e nisso ela se saiu muito bem. Não foi perfeito, até porque nada é, mas foi uma narrativa muito boa.

    Mas digo que concordo contigo em alguns pontos, a parte do romance realmente podia ter sido um pouco melhor aproveitada, PORÉM, eu não senti tanta falta disso no final, apesar de ser perfeitamente compreensível a decepção do público que esperava isso na obra, apesar de que, no capítulo final, dá a entender que claramente há a possibilidade de algo entre Shouya e Shouko acontecer, mas o tema principal da obra não é esse, mas já mostrou que pode rolar. Você chegou a citar o exemplo do Isshuukan Friends, mas lá, apesar de começar com o tema “amizade entre dois personagens do sexo oposto”, dá pra notar claramente que o Hase sente algo pela Fujimiya, principalmente no mangá (no anime já tinha fortes sinais também, apesar de que o estúdio teve que fechar a história antes disso se desenvolver mais pois não teriam material suficiente pra adaptar se andassem mais do que até onde foi o anime).

    Num geral, assim como você, realmente gostei muito de Koe no Katachi e foi bom acompanhar. Longe de ser uma obra-prima ou algo do tipo, mas achei que a história foi direta ao ponto que tinha que ir, embora tenha se feito algumas coisas paralelas a isso para dar um pouco de força à história principal.

    • Eu entendo que a temática principal é a redenção do Shouya, mas pelo tanto de temas e subplots que a obra desenvolveu ela poderia ter sido muito mais, em especial ao Mashiba que poderia ter sido usado para desenvolver a temática global do bullying.

      Eu não irei comentar do mangá de Ishuukan Friends pois não li, eu vi apenas o anime, mas mesmo o Hase tendo sentimentos pela Fujimiya eu não tenho nada a reclamar do relacionamento deles pois foi bem desenvolvido para uma amizade e também em nenhum momento do anime o Hase se declarou para a Fujimiya, o que não foi o caso do mangá de Koe no Katachi. Acho que se a autora não quisesse dar destaque para o romance ela nunca deveria ter feito o capítulo 23 da Lua aonde ela se declara para o Shouya e no final vemos que a resposta não foi mostrada para a gente no mangá, deixando de desenvolver o romance por causa de uma falha de comunicação entre os dois que deveria ser resolvida pos o tema do mangá ressalta a importancia da comunicação aberta e compreeensão mútua. Em relação ao Shouya e a Shouko juntos eu li o comentário final do scan peruano Cafe con Lenin que as mãos dadas lá no Japão é quase equivalente a um beijo na boca aqui no Brasil, assim para os japoneses a obra pode ter sido satisfatória em relação ao romance, mas para o público ocidental não foi nem um pouco.

      Foi bom ver o seu comentário aqui, embora o mangá tenha tido algumas falhas eu acabei gostando dele no final.

  2. Achei o capitulo final de Koe no Katachi até que satisfatório, claro, não foi a melhor coisa do mundo, longe disso, mas para mim a série já tinha alcançado seu ápice em todo o arco envolvendo o momento que Shoya cai do apartamento e depois passando por sua recuperação até se reunir novamente com seus amigos. Só queria um final que fosse no minimo aceitável para a qualidade que a série mostrou ao longo do tempo.
    Sim, o romance poderia ter sido um pouco mais trabalhado e melhor aproveitado, mas eu não senti muita falta disso. Para mim o foco sempre foi no Shoya e sua redenção e mudança e como a “forma da voz” da Nishimiya, que é surda, chegou até ele. Fora que era meio evidente que os dois ficariam juntos alguma hora, não era necessariamente preciso mostrar, mas deveria ser evidenciado nem que seja minimamente para agradar os fãs que estavam fervorosos aguardando por isto.
    Existiam alguns elementos que foram jogados e não foram abordados que eles poderiam reforçar um pouco a historia principal, mas não senti necessidade deles serem explorados, o desenvolvimento e crescimento do Shoya e da Nishimiya foram muito bem trabalhados e isto bastou para a construção desta boa historia.

    Gostei muito da série, uma historia simples e direta, repleta de momentos marcantes e com um crescimento de personagens impressionante. Foi muito prazeroso acompanhar a série desde o oneshot nestes quase dois anos de serialização.

    Nem precisa agradecer a Abnormal, foi um prazer fazer esta série, desde que que vi o oneshot fiquei com muita vontade de fazer e sentia que era meio que a missão da Abnormal faze-la até o fim. E seu blog ajudou na divulgação da série, eu que deveria agradecer ^^
    Agora teremos o anime para podermos acompanhar está história novamente, estou no hype uhasuhs
    E parabéns pelo blog, adorei a resenha de Solanin.

    • Concordo com você, uma das partes que eu mais gostei no mangá foi aquela parte antes e durante do coma do Shouya. Eu também queria um final que fechasse as pontas, pois acho que um final fechado funcionaria melhor para a obra. Em relação ao romance, embora muitos tenham achado que não tenha sido o foco da obra e sim a redenção, não dá para negar que esse fator teve uma grande influência na obra, pois tudo que a Ueno fez na obra e até seu backstory foi baseado em um virtual triângulo amoroso entre ela e os dois protagonistas. Assim para justificar melhor o que ela fez na obra o romance deveria ser mais trabalhado na minha opinião.

      O desenvolvimento dos personagens é bom, não tenho muito a reclamar, mas acho que a temática global da obra que é o bullying deveria ter sido melhor trabalhada e o Mashiba com o seu objetivo de se tornar professor para influenciar os seus alunos a não praticarem bullying seria uma ótima opção para o mangá fazer isso. Pena que isso não foi aproveitado no final. Ainda assim eu achei esse mangá bom no final mesmo achando que poderia ter sido melhor (tinha pontos da história que eu estava dando dez para o mangá).

      Valeu pelo feedback, esse tipo de discussão da obra é algo que sempre quis ver aqui no blog. Em relação a Solanin, é provável que eu faça um post de análise com spoilers mais a frente. Quem sabe futuramente poderíamos fazer alguma parceria.

  3. Não achei o 62 ruim, apenas apático. E isso nada tem a ver com o futuro do casal – tornar o epílogo um prólogo agiu como uma tentativa (tardia, diga-se) de recuperar a ideia de recomeço; portanto, penso que oficializar o relacionamento não alteraria tanto o conjunto, pelo contrário, dadas as circunstâncias anteriores, penderia (ainda mais) para a previsibilidade.

    Na verdade, eu já estava indiferente há algum tempo.

    Um escritor (não muito famoso, pois eu não me lembro o nome do sujeito) disse certa vez que uma forma prática de resolver um conflito é através de um evento trágico ou do acaso. Em Koe no Katachi, o coma do Ishida corresponde a esse método. Depois do acidente, a insegurança desapareceu e houve a conversão imediata de todo o elenco, com discursos efusivos, alguns objetivos conquistados e outras soluções fáceis para crises até então tidas como desesperadoras. As nuances da personalidade de cada um acabaram esvaziadas, resultando num conformismo com cara de comercial de margarina.

    O texto carece de naturalidade e daquelas sutilezas que o enredo parecia dominar tão bem em seus primeiros capítulos. Da metade para o final, sobretudo, certos vícios ressurgiram, como o incômodo ranço maniqueísta presente no one-shot, em que o inferno são os outros. O lado paterno da família das garotas é um exemplo gritante; demonizado, unicamente para que nos sensibilizássemos com a figura da mãe. A chuva de socos e pontapés entre ela e a Ueno também foi desnecessária; espetacularizada, coreografada de modo quase sádico, como se quisesse nos chocar (ou nos vingar) a todo custo. Ueno, aliás, é a amostra principal dessa unilateralidade; desde o princípio retratada como a vilã, ciumenta e possessiva porque sim, para, após uma face ruborizada acompanhada por uma confissão e pedido de desculpas, ser absolvida de todo o seu prévio comportamento hostil – empregar o termo tsundere para descrevê-la agora é bastante apropriado.

    Não que eu desejasse um desfecho sorumbático e pessimista, porém, o simplismo adotado nesses momentos conclusivos se revela insuficiente frente ao potencial da proposta inicial. Romper as barreiras da sociabilização, criar vínculos, superar mágoas, culpas e traumas, se expressar, enfim, amadurecer é um troço complicado, requer paciência, exige escolhas e decisões muitas vezes dolorosas; não é como passar de fase num jogo de videogame, não existem bandidos e mocinhos (todo mundo é um pouco de tudo, afinal), nada é tão preto no branco (o Japão não é um poço de síndromes à toa). A perseguição realizada e sofrida quando criança ocasionou sequelas ao protagonista, e é justamente isso o que o tornava um personagem crível, humano… e identificável. Talvez a minha passagem favorita seja o término do capítulo 7, quando o mero gesto de colar um calendário rasgado consegue ser maior que qualquer epifania escandalosa regada a violinos invisíveis. Porque, para um ser à beira do precipício, encarar a realidade com sobriedade e se dispor a aprender com os erros foi um passo gigantesco; não significava que tudo passaria a dar certo da noite pro dia, no entanto, as chances não seriam mais zero.

    Se no piloto original o bullying servia como pretexto para gerar melodrama (sim, não sou grande fã do one-shot), a serialização, que começou muito bem utilizando a deficiência auditiva como símbolo da dificuldade de comunicação, se acovardou e, infelizmente, tomou semelhante e cômoda direção, corroborando esse “””polêmico””” (e subentendido) romance – que considero dispensável por tornar a temática ainda mais idealizada (só o fato de existir um ser dotado de afabilidade descomunal como a Nishimiya – a passividade eu compreendo, mas a moça está à beira da canonização – já é pouco crível; somando isso ao repentino flerte amoroso com seu agressor da infância, o pretenso realismo da história é posto em xeque). A conveniência de caminhos folhetinescos foi optada na intenção de nos fisgar emocionalmente, com direito ao apaziguamento no fim para nos reconfortar – o editor de cinema, caricato e histérico, de tão deslocado, me pareceu uma representação de possíveis críticas que a autora escutou durante o processo. Faltou confiança da Ooima nos personagens; ela preferiu sentir pena deles. Talvez seja o tipo de material que encontraria mais liberdade se publicado na Bessatsu Magazine, ou se transformado numa metáfora, ou se não tivesse a Federação Japonesa dos Surdos na cola, ou… sei lá.

    A despeito disso, a beleza e a candura de Koe no Katachi permanecem. Não me arrependo de tê-lo lido. Contudo, creio que se o roteiro (e a importantíssima questão levantada) fosse tão bem trabalhado quanto foi a condução visual (a meu ver o grande trunfo do mangá; apuradíssima, com algumas experimentações gráficas marcantes), aí sim teríamos uma obra-prima.

    • Concordo com o seu comentário, na minha opinião seriam melhor que o capítulo 23 nunca tivesse existido e a autora tivesse desenvolvido apenas a amizade entre eles, acharia ok e não reclamaria tanto no final. Ela poderia até mesmo colocar o final aberto como um recomeço entre os dois, daria certo se ela tivesse dado o foco na amizade e nunca tivesse iniciado um romance com a Shouko se declarando.

      Teve algumas cenas dos capítulos que ocorrem durante o coma do Shouya que gostei muito, em especial o capítulo 51 que tem o tema “Nishimiya Shouko” mas naquele ponto eu já estava apreensivo pois o anúncio do final do mangá já tinha saído e estava com medo da obra ter um final corrido. Como comentei no texto do post e nos comentários, tudo que a Ueno fez em relação a Shouko, como o arranca-rabo dela na frente do hospital, a cena da roda gigante no capítulo 26 ou 27 do manga se não me engano foi motivado pelos sentimentos que ela tinha pelo Shouya (formando um triângulo amoroso) e o fato da razão disso não ter sido desenvolvido no mangá me deixa frustrado, é como se tudo que a Ueno fez no mangá perdesse a importância no final. Eu me lembro que o Shouya não tinha conseguido ouvir a declaração de amor da Shouko pois invés de usar a linguagem de sinais ela usou a sua voz e como a voz de um surdo-mudo é distorcida, houve um ruído de comunicação e ele entendeu outra coisa. Era importante a autora ter tirado esse ruído no final da obra e mostrado isso para os leitores mas ela não fez, seria melhor se ela tivesse mostrado ou então nem ter tocado em romance na obra, não ficar em cima do muro.

      Assim eu concordo com você que o romance é dispensável, mas ela deveria ter dispensado o romance no início da obra, não ter começado e dispensado-o no final. O mangá também teve algumas forçações de barra como o fato do Shouya ter sido suspenso da escola no início e aquela cena toda do Shouya tropecando com a perna machucada para salvar a Shouko,entre outras cenas mas para mim isso foi o de menos. Falando dos simbolismos, acho que eles são um dos pontos mais fortes do mangá inteiro, a autora sabe fazer isso muito bem. Eu gosto também da forma que o Shouya supera as suas mazelas emocionais e os fantasmas do passado para se tornar uma pessoa mais madura e compreeensiva, o que conta ponto para o mangá. E eu gostei das mães na história, por mais que tenha gente que achou que os pais foram muito estigmatizados, eu achei algo bacana pois eu não estava querendo ver um aprofundamento deles pois tomaria muito tempo útil da obra que já é curta e mostrou um bom contraste entre as mães: enquanto a mãe Ishida agu de forma tolerante com o filho com a esperança que ele iria se encontrar e melhorar, a mãe Nishimiya foi rígida com suas filhas para ensiná-las que o mundo é um lugar difícil e tortuoso de se lidar. A cena das duas tomando cerveja foi bacana, contando suas histórias como se fosse um bar.

      Para terminar o comentário, vou falar o que eu tava comentando com o Judeu Ateu no Twitter um tempo atrás do mangá e chegamos a uma conclusão, acho que o mangá deveria ter dado mais destaque para a temática global do que para o puro desenvolvimento de personagens, assim a obra teria um enredo melhor e mais abrangente. O Mashiba poderia ser usado para isso mas infelizmente não foi. Mesmo assim gostei do mangá em geral e do seu comentário, embora eu tambem acho que infelizmente não se tornou uma obra-prima.

  4. Pingback: Koe no Katachi: feridas abertas, amizades e recomeços | Nyanko-sensei

  5. Poxa, eu sei que é tarde e tal, mas pleno 2017 que to acompanhando. Terminei o filme (é, no final nem virou anime :/ nem deu outro final, mt pelo contrário, só diminuiu a obra…)e gostei tanto que fui logo lê o mangá para pegar todos os detalhes, n quero discutir nada pois sou apenas um completo amador, e gosto de animes. Mas na minha opinião você disse tudo, tava esperando, um final com pelo menos uma declaração, mas n houve nada. Isso me lembra outros que terminaram assim. Eu sei que os focos não são o romance, mas poha… Não custa nada agradar a galera neh, parece que os autores gostam de jogar decepção na gente 😥 to bem pasmo, mas ainda bem que vi que não fui o único, vi seu post de 2014 e agora to comentando. Abraços!

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