Koe no Katachi: Comentários dos capítulos 1 a 8

Esse post vai ser dividido em três partes: Primeiro, a parte abrangida pelos capítulos 1 a 4 e one-shot, que trata da infância de Ishida Shouya e da chegada da Shouko Nishimiya na escola dele. Segundo, os capítulos 5 e 6, que trata da chegada do Shouya no colegial. E terceiro, os capítulos 7 e 8,que tratam mais do reencontro do Shouya com a Shouko.

Esse post tem SPOILERS, caso não tenha lido os capítulos do mangá ainda, confira esse post ou aqui no Medium:

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Capítulos um a quatro + one-shot.

O one-shot resume a historia contada de forma mais detalhada nos capítulos dois até o quatro. O capítulo um começa do ponto que terminou a história no one-shot mas logo aparece um flashback de 6 anos atrás e retrata os dias do Shouya antes da chegada da Shouko na escola onde ele estuda. Nesse capítulo, vemos que ele é um garoto hiperativo, imaturo, sempre procurando algo para afastar o tédio junto com dois meninos que estudam junto com ele (o Shimada e um garoto gordo chamado Hirose), como testes de coragem na ponte ou bater em um garoto gordo que tinha roubado seus tênis. Aqui também temos a apresentação de vários personagens, como os dois amigos dele a mãe dele que é cabeleireira, a Ueno que é uma colega de classe que corta o cabelo com a mãe do Shouya e a irmã mais velha dele que se relaciona com caras bem mais velhos. Com o tempo, os dois amigos dele desistem das brincadeiras para fazer coisas mais produtivas e assim o Shouya fica no tédio sem nada para fazer até a nossa outra personagem principal chegar na sua sala de aula.

Passando para a parte que a Nishimiya Shouko chega na escola, vemos que há uma tentativa falha de integrá-la na sala de aula, pois nenhum dos alunos e muito menos o professor estavam preparados para isso. Também dá para perceber que a maior parte dos problemas que acontecerão serão pela falha de comunicação entre a menina, o garoto e o resto da classe, por isso o nome do mangá, que se chama Koe no Katachi, que traduzido quer dizer “A forma da voz”.

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No one-shot, o professor tenta impedi-la de participar no coral e se refere a ela como um fardo. Ela usa um caderno para escrever e se comunicar com todos, o que causa um transtorno quando ela precisa levantar a mão para “falar algo” no meio da aula. Passando para os capítulos, achei interessante uma mulher babaca de uma ONG de auxilio aos surdos que chegou na sala deles querendo convencer a todos a aprender língua de sinais sendo que ela mesmo não sabia falar em sinais. Aparece até mesmo uma garota que conhece língua de sinais que se prontifica a ajudá-la, mas como nessa altura do campeonato a Shouko já estava sendo vítima das atitudes do Shouya e comentários maldosos da turma especialmente da Ueno e da representante de classe, ela passa também a ser vitima de bullying e para de ir à escola. Outra coisa que é importante notar é que na cabeça do Shouya ela é retratada como uma alienígena que chegou de outro planeta estragando a paz e o cotidiano da classe toda, e ainda fazendo a classe perder o concurso de coral com sua voz indistinta, passando assim a intensificar o bullying contra ela, chegando ao ponto de jogar os seus aparelhos auditivos pela janela. Mesmo sendo algo pesado, percebemos que o que o Shouya faz é na sua essência infantil, pois percebe-se isso quando ele joga sal na lesma, tapa o caminho das formigas, escreve no gato, perturba a garota, é algo que ele faz para espantar o tédio, ele só percebe mais a frente na história o sofrimento que ele causa à Nishimiya.

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Quando o diretor chega a visitar a sala deles falando do custo dos vários aparelhos auditivos quebrados e perdidos da Shouko e pedindo que o responsável levantasse a mão.Nessa hora todos na sala inclusive o professor apontam o Shouya como bode expiatório e a partir desse dia, ele passa a ser o alvo do bullying da classe, sendo que tanto os colegas da classe e até mesmo o professor riam de quando ele cometia o bullying com a Shouko. Aqui nós vemos que o professor é um bosta, pois além de não ter contribuído em nada para integrar a Shouko na classe, joga a responsabilidade que seria dele toda em cima do Shouya, aproveitando-o como bode expiatório, até mesmo ficando com marcação com ele depois. Não menos baixa também foi a atitude dos seus colegas especialmente a Ueno e a representante de classe (o nome dela é Kawai) que chegou a chorar fingindo que era boazinha e dizendo que tentou impedir o Shouya de perturbar a menina (Ambas são umas vadiazinhas, para não dizer coisa pior).

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Como agora é ele que está sendo alvo de bullying, o tédio dele desapareceu, mas de uma forma muito desagradável. No capítulo quatro, mesmo com o Shouya sofrendo o bullying, tendo os seus sapatos sumidos e perdendo todos os seus “amigos”, vemos a Shouko limpando uma mesa na sala, até aqui achamos que ela ainda sofre bullying. Em seguida, ele descobre por que seus sapatos estavam sumindo, dois caras que eram os amigos dele na escola e na vizinhança (o Shimada e o Hirose) estavam roubando e jogando seus sapatos fora. Ele vai para cima deles, apanha, e assim ele se depara com a Shouko limpando os seus ferimentos. Ele acaba brigando com ela dizendo que não entendia o que ela falava, eles são separados e ela é transferida para outra escola. Mais tarde, ele percebe que ela limpava a mesa dele que era pichada pelos demais alunos, o que foi uma cena sensacional. Assim, ocorre um pequeno time skip e mostra ele no colegial se encontrando inesperadamente com a Nishimiya Shouko mais uma vez.

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Apenas voltando a atenção para o capítulo 1.5 do mangá, lá nós vemos a mãe da Shouko levando-a até a mãe do Shouya que é cabeleireira para cortar o cabelo. A mãe da Shouko quer que o cabelo dela seja cortado bem curto como um garoto, para ver se o bullying contra ela diminui. Mas a menina acaba escolhendo outro tipo de corte de cabelo. Ela corta do jeito que a menina quer, mas a mãe dela briga com a cabeleireira e sai dizendo que não irá voltar mais lá. Aqui dá para notar o perfil das duas mães, a da Shouko é uma mulher instável e desequilibrada emocionalmente que quer proteger a filha ignorando até mesmo o gosto dela, a do Shouya já é uma mulher mais relaxada, que deixa o filho fazer o que quer por aí. Aqui nós temos uma revelação interessante, ela já sofria bullying antes de chegar na sua nova escola, percebi isso pelo cabelo. Mais tarde, no capítulo três, ela volta para conversar sobre o fato do Shouya estar cometendo bullying com a filha dela e fica implícito que a mãe de Shouya fica com a conta dos aparelhos auditivos quebrados.

Capítulos cinco a seis.

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Resumidamente, vemos que no intervalo entre a época que a Shouko se muda de escola na sexta série até a parte que o Shouya encontra-a no colegial se tornara um período de poucas e boas para o Shouya, pois os antigos colegas dele (principalmente o Shimada) acabam espalhando os boatos de tudo que aconteceu, fazendo-o ficar isolado e sem amigos em toda a época do ginásio. Ele passa a ter um comportamento antissocial, detestando tudo o que seus colegas da sala faziam e gostavam, e depois de uma série de eventos, ele passa a imaginar sua vida futura, que não prometia ser nada boa. Assim, ele passa a cogitar a ideia de suicídio, vende todas as suas coisas, descobre a escola de língua de sinais aonde a Shouko estuda, pede as contas do emprego de meio período e deixa o envelope com todo o dinheiro que conseguiu ao lado da sua mãe dormindo para compensar o dinheiro dos aparelhos auditivos. Ele rasga um calendário do mês pela metade e o último dia do calendário seria o dia que ele procuraria a Shouko para se desculpar, resolver todas as pendências de vez e depois se matar — essa parte é representada por simbolismos interessantes no mangá. Assim que ele se encontra com ela, voltamos ao final do one-shot e ao início do primeiro capítulo.

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Aqui achamos que o reencontro deles poderia começar amigável e até romântico, mas ela virou as costas para ele e correu em disparada, mas mesmo assim ele consegue entregar um velho caderno de comunicação que ela usava para ela. Nesse momento, ele se lembra de novo das coisas ruins que tinha feito a ela e que não foi punido o suficiente, assim decide continuar vivo e perguntar a ela se eles poderiam começar tudo de novo e ser amigos, já que agora eles poderiam se entender mutuamente. Ela concorda e assim passamos para os dois capítulos mais recentes.

Capítulos sete e oito

O capítulo sete nos apresenta um pouco da nova rotina da Shouko. Ela tem aulas de língua de sinais e panificação, inclusive ela pega pães para jogar no rio abaixo de uma ponte para alimentar carpas. Nessa situação, junto com o Shouya, a mãe dela chama-a para o carro para voltar para casa. Aqui notamos que a mãe dela é desequilibrada e tem um sério problema de comunicação com a filha, pois ela não a dá ouvidos. Ela pega o caderno velho de comunicação da Shouko e joga no rio e joga no rio, talvez uma forma de mostrar para a Shouko para esquecer seu passado sofrido e que a fez sofrer. Mas ainda sim a Shouko mergulha no rio para pegar o caderno e assim, Shouya depois de ajudá-la a sair do rio pede desculpas para a mãe dela e fala para ela realmente tentar entender a filha, e ai ele recebe um tapa dela. Ele planeja vê-la de novo e assim recola o calendário rasgado, formando assim outro simbolismo.

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No capítulo oito, é apresentado um novo amigo que o Shouya conhece, que se chama Nagatsuka. Ele o conhece em uma bicicletário, em que um moleque folgado tenta pegar emprestado a bicicleta dele. Ele empresta a sua bicicleta para o moleque, passando um tempo que a bicicleta não é devolvida, ele acha que foi roubado (DERP!). Assim, a pé ele recebe um cupom que dá o direito de uma aula de panificação, assim ele tem uma ideia para alimentar os peixes da ponte na terça feira, dia que a Shouko costuma estar lá. Ele vai na sala aonde ela aprende língua de sinais mas ele é enxotado pelas colegas dela que pelo visto já sabem do passado dela. Justamente quando ele se questiona a partir de que momento ele pode considerar alguém como amigo, Nagatsuka chega com bicicleta dele que o moleque de antes tinha largado por aí. Aqui temos mais um simbolismo, com exceção da Shouko, de sua mãe e da mãe dela, ele vê todos com um X ou um ? na cara representado pessoas que ele não está nem ai, inclusive o próprio Nagatsuka no começo do capítulo. Assim que ele volta com a bicicleta dele, o X na cara de Nagatsuka cai e assim parece que o Shouya vai ter um primeiro amigo de verdade (E talvez no próximo capítulo esse novo cara conheça a Shouko). Até agora, nós vemos um grande amadurecimento do Shouya forçado pelo próprio isolamento, até o início do mangá ele era uma completa criança. Terminando, eu imaginei que esse mangá seria apenas um romance, talvez ele tenha o romance futuramente, mas o principal foco do mangá agora é de superação e redenção do nosso personagem Shouya, nesse ponto eu consigo traçar um paralelo com Rurouni Kenshin, comparando o Kenshin retalhador do Bakamatsu com o Kenshin da era Meiji.

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Para os que chegaram até o fim desse post, esse post ficou mais longo que o habitual pois é primeiro de muitos posts dos capítulos semanais que virão por aí. Realmente foi uma experiência muito boa ler esses capítulos, espero ver mais dos nossos personagens principais e ver também que rumo aqueles antigos colegas dele tomaram na vida (Espero que estejam na esparrela agora rsrs).

Fontes das imagens da review e links para baixar o mangá:

Em português: Abnormal Scanlator.

Em inglês: Norway Scan (capítulos 1 a 5)

Futari wa Pretty Anon (a partir do capítulo 6)

Village Idiot (one-shot).

Link Adicional: Reportagem da revista Nova Escola de bullying contra crianças deficientes.

Essa mesma review está no Medium.

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